sem-abrigo

IDENTIDADE – Projecto Fbaup

No âmbito da disciplina ITD, FBAUP, foi-nos proposto um projecto em que consistia retirar tudo o que tivesse na nossa mochila, tirar foto e inspirar-nos nos mesmos objectos e criar algo que nos retrate.
Descrever-me é complexo. Não sou a melhor pessoa para esse papel, creio que meras palavras não sejam capazes de expressar de modo pleno uma pessoa por e simplesmente que o ser humano já é uma complexidade.

Sou o reflexo das minhas escolhas, das minhas conquistas, vitórias, dissabores, derrotas, lágrimas e a cada dia que passa eu modifico-me. Como qualquer guerreiro, vivo naquele contraste em que não quero ser igual todo o dia, isto é, o guerreiro que batalhar cada vez a um nível mais exigente. Quero pintar mundos cinzentos, que o pobre e mendigo sinta a cor cinzenta e que essa mesma lhe toque e o faça preencher um lugar vazio na sua alma. Querer, quero tudo sou assim desde miúdo dentro e fora dos sonhos!

Esta perspectiva incutiu-me o meu pai e partilhar em mim o seu amor pelo ciclismo, contagiou-me. Suar, lutar, passar barreiras, faz sentir-me vivo. A exigência do limite do corpo humano e que afinal de contas o segundo lugar é o primeiro lugar dos derrotados! É demasiado ambicioso mas, seja vencedor ou derrotado sabia perfeitamente o meu valor no aperto de mão.

Já a minha mãe, afligia-se por ver o filho em sofrimento. Eu sofro todos os dias porque acordo cedo para uma educação de merda neste Portugal Surreal. A desigualdade e corrupção cortam as pernas à geração futura. Ser doutor ou trolha, para mim, era igual se mantivesse os meus valores de pai e mãe. Óbvio que queria que fosse doutor mas, no entanto, apoia-me nesta construção como artista.
Agradeço-vos por tudo o que fizeram por mim e pelo meu irmão que, apesar de sermos completamente distintos em termos de gostos, maneiras de vestir, e essas tretas fizeram de nós SUPER-HOMENS. Não nos faltam nada.

As saudades de casa, de momentos vividos, experiencias é que ajudam a construir o homem que sou hoje. RECARGA FAMILIA foi fruto do mesmo, um colectivo, família, que ambiciona transportar energia positiva e que é possível viver através do que mais gostamos de fazer. Alpha, Belinha, Vento, Nts, Mz, HMSI, Raphzilla, Andreia Cristina: “Ninguém que não seja um grande escultor ou pintor pode ser um arquitecto. Se não é um escultor ou pintor, apenas pode ser um construtor”. Temos muito por construir, pintar, esculpir, projectar, … !!!
“Se eu pudesse …”

Apenas SOU um ser em construção. Essa mesma construção é-me ajudada pela minha namorada. Ao pé de ti vejo que para lá das nuvens cinzentas há um sol que brilha. Mesmo que borre a tela és tu quem a apagas e me dás os pincéis para começar a colorir de novo. No fundo faço tudo para te ver sorrir. As nossas noites juntos abraçados ao cobertor, o calor do teu abraço, finais de dias cansados a ouvir o mar e ver o pôr-do-sol, as nossas brincadeiras, o teu beijo… Obrigado por me fazeres sentir amado.

QTWO, Jode, apenas dois sonhadores e maníacos pelo graffiti, pintura. Ultrapassamos muito desde às brincadeiras mais estúpidas até à formalidade. Horas a fim na rua a viver justificando que não somos miúdos de hoje em dia agarrados a computadores e afins. Desde os primeiros traços das primeiras palavras por ele punha a minhas mãos no fogo.
À gerinha espinheira desde aos mc’s, djs e bboy’s obrigado por manterem a cultura e transportarem essa mesma magia em scratch’s, métricas em campos lexicais, semânticos, poesia! Da mesma forma, ao bboys que partem as pedras da calçada e explosão em flairs à Viegas! A nossa força está na cidade em que vivemos, é tão mágica ! E devemos sentir orgulho! Tamos juntos a incentivar a Nova Geração de Rua.

Parte de mim é um verso “Viajar à descoberta de uma sensação pura”. Agora, pelas ruas do porto a estudar, quero ainda mais esta sensação pura que é pintar o olhar de quem me rodeia. Eu nunca me esqueço que se nada faço para obter o que não depende de mim, ao contrário que muitos pensam, de maneira nenhuma se pode aspirar essas mesmas vantagens.
Acima de tudo gosto de ser quem sou…

O graffiti é um ligação directa com a rua. Desde a sua exposição nas ruas até às fábricas abandonadas.
Lá ia eu terminar uma peça pela manhã a um domingo enquanto muitos dormiam, num trajecto em que a chuva foi a minha companhia, empenho, mangas arregaçadas, foi então que me deparei com um “mendigo”. O seu estado mental não era propriamente de bom grado mas a sua aparência apesar de não ser muito higiénica ou a fazer “pandam” ( lol ) denotava-se que as suas “pernas tremiam” tal como na vez que foi parar à rua.
Tive receio ao inicio, confesso, era um encontro inesperado e que tanto tinha milhares de hipóteses finais. Ou acabava no chão morto, ferido ou a fugir ou, então, saia tranquilamente pela porta da frente.
Quero eu dizer com isto que era uma alma genuína e propriamente fiquei espantado com uma situação ao explicar-lhe a peça ( sim, acabamos por trocar umas palavras). A minha peça insere um polvo e fiquei burro quando me perguntou o que era um polvo. Eu, estúpido respondi:
“-É um peixe!”.
Noutra direcção tem vários elementos gráficos que retrata o porto. E o modo como decifrou todos esses elementos como se fosse um HISTORIADOR! Achei incrível a forma como da ignorância passa à história de portugal. Ou seja, aparentemente o polvo=povo é uma merda e sim, o patriotismo é muito mais importante!

Sinto-me grato por vivenciar através do graffiti historias tão inesperadas e gratificantes ao mesmo tempo!

Fotografia por: Stefano Zazzaro & NEK

7 thoughts on “IDENTIDADE – Projecto Fbaup

    • O projecto ainda só vai ser apresentado amanhã por isso, vamos lá ver! As perspectivas são muitas mas por vezes a vontade não é muita !
      O ambiente ainda acho que é um pouco constrangedor entre colegas fora o pessoal já conhecido mas é muito trabalho mesmo ! nem sei por onde pegar xD

      • Olá Bruno
        Faço minhas as palavras do Prof. Daniel, vai correr bem, porque este és tu, o Bruno com toda a sua verdade e talento.
        Estou muito orgulhosa de ti.
        Bjs grandes de uma admiradora, que um dia teve a sorte de ser tua professora.
        Margarida Coelho

      • Ehehe Obrigado mesmo pelo apoio! É fundamental!
        Tem sido muito trabalhoso, tenho alguma preguiça mas estou um novo “Bruno” ahaha
        Sempre a arregaçar as mangas aqui nao se para!
        Beijinho Enorme!!

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