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“Nevoeiro” Fernando Pessoa

“Nem rei nem lei, nem paz nem guerra,
define com perfil e ser
este fulgor baço da terra
que é Portugal a entristecer –
brilho sem luz e sem arder,
como o que o fogo-fátuo encerra.

Ninguém sabe que coisa quere.
Ninguém conhece que alma tem,
nem o que é mal nem o que é bem.
(Que ância distante perto chora?)
Tudo é incerto e derradeiro.
Tudo é disperso, nada é inteiro.
Ó Portugal, hoje és nevoeiro…

É a Hora!”

No âmbito da disciplina de Português, numa das avaliações, é apresentar um poema integrado na obra Mensagem de Fernando Pessoa. Eu optei pelo “Nevoeiro” pela sua forte mensagem. Então decidi partilhar com vocês esta pequena viagem que fiz.

Este poema é de grande intensidade dramática, “Nevoeiro” apresenta os seguintes recursos estilísticos relevantes: uso de uma anáfora e de uma antítese, catorze versos octossilábicos distribuídos por uma sextilha uma séptima e um verso isolado de três sílabas, Caracteriza Portugal com o uso de metáforas (versos 3 e 4 da 1.ª estrofe), uso de um sistema de redundantes negativas que enfatizam o estado de nevoeiro do país bem como o uso do verso solto que leva a uma exortação.

“O poema “Nevoeiro” é o último poema da Mensagem. Enquadra-se na terceira parte do livro, dedicada ao Encoberto.
Pessoa descreve, metaforicamente, desde um passado remoto a um futuro ainda sem data, a evolução de Portugal. Como bem se compreende, o titulo deste último poema pretende comunicar um misto de indefinição e de segredo. “Nevoeiro” é uma substância mutável, que esconde como um véu uma outra realidade.

Pessoa considera Portugal num estado indefinido, como um manto de nevoeiro. Por isso ele diz “Nem rei nem lei, nem paz nem guerra, / Define com perfil e ser / Este fulgor baço da terra / Que é Portugal a entristecer –“. É a tal “crise de identidade” que refere na sua pergunta. É uma crise tão profunda que não haverá nenhuma mudança pelo governo dos homens. Nem a guerra – mudança das mudanças – poderá demover Portugal do seu triste estado como um “brilho sem luz”, Portugal vive, mas é uma vida triste e inconsequente, sem destino.

A segunda estrofe confirma o que foi dito na primeira. Depois de desenhar o perfil psicológico Pessoa passa ao nível microscópico – das almas individuais. São elas que não sabem o que querem, nem tão pouco se conhecem, inevitavelmente caindo num decadente vazio moral. Como o país, os seus habitantes partilham do mesmo destino, são porções ínfimas que constituem o “Nevoeiro” que se vê mais do alto.

A expressão entre parênteses é o momento de viragem do poema. Embora ele seja a essência triste, neste momento começa a exortação à mudança. Isto porque a descrição que Pessoa faz é positiva, mesmo que use a negatividade para enfatizar o seu discurso.

Não é só Portugal que é nevoeiro, tudo é nevoeiro – diz-nos o poeta. O mesmo é dizer que em tudo há mistério e possibilidade de mudança. Se a indefinição é má, é positiva do ponto de vista de ser maleável, ou seja, uma fonte de todas as mudanças futuras.

Nesta perspectiva o passado não é mais do que uma ponte para o futuro. Os grandes triunfos no mar, as conquistas materiais, tiveram o seu tempo e existiram para serem passageiras, foram uma lição de humildade. A recompensa não é da terra, é dos céus e deve nos céus ser procurada. Senão as conquistas não teriam feito do país “Nevoeiro”.

Aqui, fica a minha interpretação, com intenção futuristica de um nevoeiro. Após ter feito uma introspectiva fiquei estupefacto como se enquadra a Portugal nos dias de hoje.

Mas não querendo ser dramático, quis pintar algo que pudesse mostrar algum movimento para consciencializar as pessoas com esta mensagem, assim, dando continuidade a Pessoa. Não sou a melhor pessoa para o fazer mas, o após, para todos os conquistadores nao se limitem ao passado. Imaginem que o futuro é um nosso amigo insanciavel. Que passamos tarder, horas ou minutos a deslumbrar a energética sinergia. É aquele que todos os minutos passam a segundos. É aquele que precisamos dia após dias da sua presença. Nós dependemos de outra pessoa. Imagina se não a cultivassemos ? Tudo passava a um jardim emergido em trevas onde o som de fundo seria ao ritmo de um jazz litúrgio de vampiros. Não queremos isso. Queremos que o dia de amanhã seja melhor que o dia de hoje. Não nos podemos limitar ao que fizemos anteriormente e gabarmo-nos isso sem dar continuidade a essa mitificação. Isso sim é ser imortal. É darmos a geração seguinte motivação banhada em valores para erguemos todos os dias a espada perante as nossas dificuldades.

Resumindo e concluindo, de mim, não quero pertencer a este nevoeiro. Penso que também nao queres ficar para trás no modo que, batalhem para feitos-novos e nao se limitarem ao que fomos. Mas antes de tudo procura o teu equilibrio na balança!

“É HORA DE MUDANÇA!”

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