Nhek

‘Eu, não sou nada…’

Está certo tão certo de estar errado que neste ciclo vicioso não é nada, 70% de sangue nas suas veias são nada. Não sabe o seu próprio nome ou idade. O que sabe é o fruto do que guarda na memória a par disso tem todos os sonhos do mundo. Nasceu num povoado austríaco, cresceu com videntes, com um ambiente psicamente carregado que influenciou a sua visão da realidade. Nunca conheceu a mãe e o seu pai era homicida o que causou viver num ambiente hóstil e na sua infância ser maltratado. É aquele miudo que na escola não fala com ninguém apesar dos 30% que sabia os 5 sentidos estavam presentes.

Nestas mesma épocas, passava horas e horas a ser observado pelos livros pois até mesmo os livros conseguiam produzir mais que ele próprio. Admirava-o pelo querer saber mais, observa-o milhentas vezes e adorava o método de aprendizagem dele. Nunca me esqueço o aproximar dele à sabedoria, os seus passos calmos, o som da sola dos sapatos e da madeira a chiar, as suas roupas cinzas e a habitual camisa engelhada, obscuras, mas bem apresentado mas tudo conjugado a desgate e de muito uso. Lembro-me de acompanhá-lo sempre mas sempre distante.
Lembro-me, também, dos trajectos e dos horários. Saia da minha aula a correr com a pasta na mão como se fosse uma maratona para ir para trás de um canteiro a espera dele para a habitual visita a biblioteca velha.

Tirei varias conclusões acerca dele mas todos os dias eram ultrapassadas por outras teorias. Hoje era um homem viril e noutro era amorfo. Comtemplei-o numa espécie de esquemas, o que mais tarde, num súbito interesse e um pouco de sorte consegui escuvilhar a sua pasta oleosa. Observei, não percebi nada do que ali estava. Tudo tão geométrico relativo a engenharia, não sei bem. Arrisquei de facto mas o ‘nada’ quase que me apanhava, foi por um triz.

Mas em meio a tudo isto existia algo mais! Vim a saber que afinal tinha amigos, uma ceita creio. Vim a descobrir que faziam um rituais, para tudo bater tão certo só podia. Deduzi através de conversetas com amigos dele, fui chato é certo mas tinha que fazer perguntas. Mais uma coisa interessante sobre a personalidade que ele tinha. Tinha uma óptima cultura e boa astrologia. Será que foi de tanto tempo na biblioteca ? Não sei, só sei que nunca mais o vi. As habituais perseguições tinham evaporado. Gradualmente perdia a esperança de encontrá-lo e estar a espera dele atrás da árvore. Tinha em mente que podia ser uma daquelas gripes mas, perdi o contacto.

Após uns aninhos, cresci, amadureci apesar de ter deixado a escola pois tive que perder a inocencia e encarar a vida porque eram tempos muito dificeis e tinha que ajudar os meu pais a trazerem pão para a mesa para o meu irmao mais novo ter que comer. Admito que também encarei a vida porque o que me cativava mais era aquele mitico ‘nada’ e estudar toda aquela mistica figura.

Comecei a trabalhar, nem me quero lembrar do primeiro dia de trabalho e das primeiras despesas! Foi muito harduo , muito suor, muitas incertezas mas lá continuei a ser recruta. Acordava e vestia a fatiota vermelha sempre para aquele ambiente tenso, sufocante. Faziam mais de cem dias, entre entradas e saídas, que um pequeno grupo de funcionários, oficiais, estavamos lá entocados como lobos por um tal de bagatela. Construída nuns jardins místicos, e a alcateia tinha a função de protegê-la de ataques. Acentuando ainda mais a situação troglodita e claustofóbica em que viviamos, a notícia que o Exército Vermelho estava no auge. Em certo dia, um colossal vagalhão de blindados e de tanques, canhões e aviões, ceifou dois milhões e meios de soldados. Mais de um milhão deles combateram espetacularmente em batalha de ruas, contra as
derradeiras forças da resistência. Penetramos por todos os lados ! Até que fui honrado pelo nosso chefe general mas,… Reconheci aquele olhar. Um olhar misterioso e de apercebimento, e ao mesmo tempo que estava a interrogar, um apagão branco.

Inconscientemente, traído, morri e soube que o nada sabia mais do que nada e que o nada afinal era eu. Fui vitima de um ciclo vicioso e 70% de sangue nas suas veias são nada. Agora não sei o meu próprio nome ou idade. E o que sei é o fruto do que guardo na memória e a par disso tenho todos os sonhos do mundo.

10 thoughts on “‘Eu, não sou nada…’

  1. espectacular .
    vou-te explicar o que senti quando li isto: tristeza, curiosidade, animação e outra vez tristeza pela forma como acabou.
    conseguiste-me cativar da primeira à ultima palavra
    dou-te os meus parabéns +.+
    escreve mais!

    • Obrigadãooooooooooooooooooo Marii !!
      Vou-te explicar. Surgiu numa tarde, quarta, no museu o rabisco. E ja ttinha pensado em produzir um texto’zinho. E hoje deu-me a pica pa escrever depois de ter estado a purificar a alma na praia ahah
      Ah pois vou continuar, gosto imenso de criar e dar as minhas historias ou filmes ahaha

  2. ESTOU PARALISADA!!
    Esta espectacular, aqui esta a prova de que és capaz de tudo de tudo mesmo, além da arte da pintura tens muitos mais talentos dentro de ti e o melhor disso é que sabes utiliza-los da melhor maneira possível!
    ES FANTASTICO AMOR

  3. Obrigadaooooooooo Ju!
    Apenas vivo para produzir e um dia ouvi ‘ a imortalidade nao é o corpo durar sempre é com palavras e açoes mudar a geraçao seguinte ‘ quero ser imortal, quero que produzam e atravessar pelos tais temporais !

  4. Parabéns Bruno, o texto está muitooo bom mesmo, adorei *.*
    A própria estrutura está muito bem, e sem dúvida que o conteúdo prende qualquer leitor😀
    Mais uma vez, parabéns *

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